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EDITORIAL (22/02/2007)

da apresentação à comercialização do fonógrafo


Edison concebia, com a comercialização do fonógrafo, uma nova era para o aprimoramento dos serviços e dos trâmites burocráticos.

Entretanto os burocratas são, via de regra, conservadores, por vezes retrógrados e em alguns casos mais raros agressivos a qualquer nova idéia apresentada.

Esse era o dilema de Edison: ele tinha que convencer todos seus potenciais clientes que eles necessitavam demasiadamente daquilo que eles jamais pensaram que pudesse existir. No entanto isso não era obstáculo para o Mago de Merlo Park, que além de ser o maior inventor dos Estados da América nortista, foi também o maior vendedor de todos os Tempos... A apresentação do fonógrafo no Scientific American, ou a da lâmpada incandescente são feitos dignos de um mestre da arte da publicidade ou, mais adequadamente, da arte do ilusionismo mágico. Afinal, apresentar uma idéia é uma coisa; vendê-la são outros tantos...

Como era de se esperar deste tão incomum visitante desse nosso Mundinho, ele não se molestou e lançou a mais importante campanha publicitária até então concebida para vender o fonógrafo. E o que ele queria vender era a idéia de futuro.

Arriscar prognósticos é temerário - mas é temerário apenas para o amadores; os profissionais fazem disso o corriqueiro. E Edison, antes de inventor, era um profissional. Mostram isso os seus pedidos de patente.

E foi assim que ele vendeu o futuro.

Com aquela bela e mágica máquina falante que até então ninguém dispusera, Edison se preparou para um novo mercado, para uma nova indústria, para uma nova forma de prestar serviços que ele pensava serem estrita e apenasmente seus.

Só faltava a propaganda...

Apresentando o novo de modo novo

Até a apresentação do fonógrafo, em 1878. na revista Scientific American, a apresentação das imagens estava nas mãos da litogravura, da litografia. A fotografia era experimento de extravagantes. ¡Mas era nova!

Desnecessário é dizer que Edison conjugou duas linhas: a do novo impactante como fato (a fotografia como realidade na impressão dos jornais do final do Século XIX para anunciar o seu fonógrafo) como a do novo impactante para fazer com que o futuro aconteça no presente (que se faça o que nunca se fez, que se grave e se reproduza a voz).

E em assim... graças a sua obstinação (aliada à determinação de apenas alugar - e não vender - o fonógrafo), Edison lançou uma campanha publicitária sem precedentes), o que assustou os comedidos burocratas. E os conquistou.

¡Saudações!

AMARO MORAES E SILVA NETO

Odisséia do Som

Granja Viana, 22 de fevereiro de 2007